ABUTRE, GRIFO & CIa

...E no principio era o Verbo (...Genesis...). Com o degenerar da natureza humana, o Verbo aviltou-se, foi-se deteriorando, tornando-se num "zoombie", ou "morto-vivo", que o tornou vulneravel aos necrofagos, pois os predadores desdenhavam a sua carne putrida. Assim surgiu o Abutre, empenhado na tarefa de rasgar as entranhas e roer os ossos do Verbo, enquanto noticia, ou pelo menos na sua espuma.Vai iniciar-se o festim!!!

27.4.05

BLOG FAZ EUTANÁSIA
É isso! Como alguém que detesta o sentido único da obrigatoriedade, resolvemos entregar a «alma» deste blog ao criador - e ele que faça dela o que quiser. Foi bom como experiência anónima - mas também foi mau pelo fino sentimento de desperdício que muitas vezes ABUTRES foi sentindo. A todos os que tiveram a paciência de se determ por estas pobres e esporádicas linhas, um grande abraço e até sempre!
GRIFO (Nada como uma boa reforma antecipada... do género Miga Amagal... Eh-Eh!, isso é que era bom!)

3.4.05

O OCASO DO CISMA
A morte do Papa João Paulo II foi, é e será o acontecimento mais marcante deste início de século. Não é um mero rito de passagem - como pretendem os materialistas contemporâneos (que vão da repisada reforma moral aos vários protestos dos movimentos «gay», passando pela luta hedonista que apenas clama máxima liberdade ao poder do dinheiro... e ao dinheiro do poder) - nem uma orfandade colectiva que nos deixará perdidos para sempre no deserto, sem a referência «orográfica» imponente de uma personalidade que logrou tocar em todos os tipos de corações e à vista de toda a gente. Publicidade esta muito visada pelos seus críticos, diga-se.
Não é um rito de passagem porque não é geracional ou substitutivo: João Paulo II conseguiu recolocar a Igreja nos carris que, há mais de 750 anos, havia abandonado pela mão desse indivíduo perigoso que foi bispo de Roma sob o nome de João XXII. E não é uma orfandade porque este Papa abandonou esta Terra com a promessa de que ia levar notícias ao Pai. Notícias de nós todos.
Como bem analisou Vasco Pulido Valente na sua crónica no PÚBLICO de domingo, para o Papa «o relevante era que a fé não usasse, por quase toda a parte, o rosto do inimigo». Coisa que a Igreja Romana, guardiã da fé católica, foi fazendo com pertinaz regularidade nos últimos séculos.
Ou seja: quem neste momento poderá viver momentos de grande complexidade é exclusivamente a Igreja. Será que a humildade ensinada por este Papa é suficiente para combater e vencer as sedes várias de poderes vários? Conseguirá a Igreja manter abertas as portas que João Paulo II destrancou?
O Grande Cisma aproxima-se do ocaso e, ou esta Igreja (e as outras todas, também!) assume de vez que a ideia de Deus é una e que portanto não pode mais confundir-se com «o rosto do inimigo» (seja ele qual for), ou então estiolará com os seus ramos secos bem presos numa vasta e intrincada grelha de interesses e jogos de poder.
Utilizar parte de um poema poderá ser, para muitos, um acto de traição. Sinto a ideia no ar... e no entanto não resisto:
«Tu me donnes l'envie d'être plus difficile...
«Je n'ai pas cependant fait voile vers les îles,
«A l'aventure, dans la zone morte des mers;
«Mais j'ai peur de reprendre auprés de toi ma place,
«D'instruire les enfants avec des mots couverts
«E des formules d'ombre infuse qui les glacent...
«Mes disciples voudront avoir d'autres autels,
«Chercher le sens du monde au milieu des herbages
«Parfumés, sur les hauteurs balayées par le ciel...
«Ou bien, les nuits d'hiver, menant en mon sillage,
«Sur une pente indescritible de blancheur,
«Les compagnons en rangs serrés comme des bêtes,
«Je leur dirai la discipline de la Quête
«En cette école où nous seront de vraies chercheurs
«De sagesse, un grand tropeau d'âmes inquiètes.
«Je leur expliquerai la beauté de leurs rôles,
«Mais quand l'un sentira ma main sur son épaule,
«Répondra-t-il ainsi que je tái répondu:
«Si vous m'avez choisi pour mon intelligence,
«Serais-je celui-lá qu'on a tent attendu
«Pendant des siécles e des siécles de silence?»
in «La Quête de Joie», de Patrice de la Tour du Pin
É que seria tão bom que aquilo que ensinamos aos nossos filhos não surgisse mais tarde destituído de todo o valor pela simples acção de uma qualquer nova alínea do relativismo...
GRIFO (Bela chuvada!, não?)

21.3.05

A PUTA DA PUBLICIDADE!!!...
O vernáculo absoluto nunca foi coisa que afligisse esta casa, menos ainda quando há a certeza de que o «termo» é convenientemente aplicado e vastamente detectável nos vários «lavores» que envolvem a dita actividade. A da publicidade, claro! - porque a da puta é mais complexa, com uma génese presa em infindáveis e por vezes muito obscuros meandros da existência. Na publicidade vale tudo, inclusive coisas que certas putas recusam fazer - enquanto outras por ali se esmeram, como as «caften»...
Ou seja: a publicidade é a puta das putas!
Não gostaram os publicistas e afins? Paciência, meus caros, porque aqui está-se a falar de praticamente toda a Humanidade dita civilizada e vocês é que não podiam saltar fora... Ossos do ofício!
Vejam-se dois exemplos exemplares (vivam as macaquices da linguagem!), onde sobressai um «spot» bancário que é a imagem acabada da estupidez natural reversiva. Diz a pesrsonagem/gente/alvo: «Sou importante!..., viste como eu sou importante?!...» (...) «...Viste a maneira como fui tratado?...». É apenas uma apologia esfarrapada à imagem do «banqueiro personalizado» (era bom?, não era!?...), a apelar ao basismo absoluto e à total incapacidade crítica do cliente. Que ali surge retratado na mais ridícula das poses - o autêntico «Zé Tuga», aquele que se põe em bicos de pé para na fotografia de grupo parecer mais alto. Enfim! - um rol de misérias!..
E isto é com banqueiros!... (Recorde-se que o BES pode agora juntar ao grupo de «clientes importantes» do seu grupo - é só grupos! - a fronha do Pinochet em efígie, talvez personalizada com a sua assinatura... quem sabe não será boa publicidade?).
A outra «pérola» diz respeito à caganeira desenfreada de serviços que a merda dos telemóveis tem permanentemente atrelada. Nem sequer se dignam a colocar a questão de poderem estar a ser tremendamente desagradáveis para com os gajos que, no estúpido do «Dia de S. Valentim», só se conseguem lembrar do valente par de cornos que acabaram de levar!
Ora há agora um anúncio de telemóveis que apela nitidamente a comportamentos de risco: supostamente é uma gaja que está na cama, a dormir - mas com dois gajos. Não os puseram todos a foder, mas isso presume-se com facilidade. A «moral publicitária» aqui é a de que quem aderir à trampa que a TMN quer vender vai gostar tanto que vai «querer a dobrar»... Estão a ver a coisa? Parte-se ali do princípio que toda a clientela vem em «trios», que isso é muito «cool» (e até pode ser...), que foder é o que está a dar e que querer a dobrar é que é bom - independentemente do que é que se quer... É o máximo!
Tudo isto para vender... não é bem coisas... é mais uma espécie de falsa fama! Para vender caro (porque uma coisa que não vale nada quando vendida é sempre cara) a mais efémera e tristonha das névoas da personalidade: a da importância virtual - sempre tão bem representada nas roupas com marcas, no «show» dos cartões dourados em público, no patético «sr. dr. prá'qui, sr. engº prá'colá»... e no «Mercedes» - preto, claro!, que é a única côr que estes «gajos importantes» ouviram um dia falar e vagamente ainda reconhecem.
Junta-se agora à panóplia dos «gadjets» da importância virtual também o inevitável telemóvel multi-usos, que permite não fazer nada fazendo muito (o contrário também acontece mas é residual), jogar ténis virtual com o marido da amante, ver a sogra a cagar forte e feio e ouvir (ou ver...) o relato de futebol - tudo em simultâneo!
Tempos prodigiosos, os do reino desta puta capitalizadora, qual Mofina Mendes felizarda, que - contradizendo o velho e popular auto - consegue sempre vender o seu cântaro de azeite, mesmo com ele quase vazio e todo colado das muitas vezes que se partiu.
E esta puta ainda venderá a mãe!
Haja quem lha queira comprar...
GRIFO (Boas noites, gente séria do putedo!)

13.3.05

O ESTRANHO CASO
DA OVERDOSE DE PEVARYL
E DO LAXANTE CORROSIVO
Não se consegue ainda perceber bem o que significará no conjunto da governação socrática a primeira medida de vulto saída do gabinete do (já) reconhecidamente sofrível ministro da Saúde. Mas o facto é que abanou alguns alicerces até agora inexpugnáveis - daqueles que nem a tragicomédia de Pequito sequer ousou um dia riscar o polimento: os alicerces das todas-poderosas Ordem dos Farmacêuticos (OF) e Associação Nacional de Frmácias (ANF), que bem poderiam ser consideradas uma espécie de lojas maçónicas, cruzadas que são de múltiplos interesses instalados dentro e fora de fronteiras.
As farmácias eram, até há pouco mais de 20 anos, uns sítios (por vezes interessantes) onde se ia comprar remédios, pensos e montes de tralha diversa. Hoje são negócios para enriquecer os seus proprietários - conhecem a casa do farmacêutico de Seixas, em Caminha? -, e são as testas de ponte de míriades de grupos multinacionais farmacêuticos ou de poderosos laboratórios.
A liberalização do comércio de produtos farmacêuticos que dispensam receita médica é, simplesmente, o fim de um monopólio dominado até agora pelas farmácias, que usaram e abusaram do seu estatuto de utilidade pública para controlar o mercado utilizando uma suposta sapiência em relação a tudo o que diz respeito à saúde.
O suposto «conselho especializado», que a ANF tanto reclama, resume-se no máximo ao encaminhamento de um cliente que sofre de pé-de-atleta ou de prisão de ventre. Ora todos nós sabemos que até hoje ninguém morreu com uma overdose de «Pevaryl» ou ficou sem cu por tomar um laxante!
Em contrapartida, Portugal está nas estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS) como um dos países que mais anti-depressivos consome. Curiosamente, medicamentos - esses sim! - cujo comércio exige receita médica.
Esta gente rabia!, e até insulta através da pessoa universitária Beja Santos, que afirmou no PÚBLICO de hoje ser o povo português demasiado tonto para ter tantos remédios inócuos por perto. E lá voltamos todos à teoria do suicídio com creme adelgaçante ou ao assassinato com papas de linhaça!...
E esta gente rabia por uns poucos por cento de mercado que lhes foge - quando devia perturbar-se legitimamente e com furor face ao que a net permite em termos de contrafação e de autêntico «universo paralelo» na fileira farmacêutica mundial. É que aí vai do Viagra aos retrovirais - passando pelos antibióticos, vitaminas e até... anti-micóticos e laxantes!
Esta foi uma boa medida e ABUTRES aplaude efusivamente! A outra tem a ver com o PS no feminino. Desconhece-se se é uma tendência natural, marcante definitiva quiçá?... -, mas o simples facto de Sócrates não ter posto no executivo Edite Estrela (BRRRRRR!), Ana Gomes (ARRRRGGGHHH!) e Ana Benavente (UGH!..) revela pelo menos bom gosto (e belo trato). Tanto melhor...
GRIFO (Preparando um «shoot» de «Cê-Gripe» e um bilhetinho erótico para a «nossa» ministra (ÁAAHHH...)

6.3.05

SORTIDO DO MÊS
E eu que pensava que um mês sem atirar as minhas «postas de pescada» ia dar para recarregar os meios de produção noticiosa deste país!... Triste ilusão, porque nada de realmente importante aconteceu entretanto.
Vejamos: o FCP apresenta o pior futebol dos últimos anos - ou mesmo das últimas décadas - e mesmo assim está a discutir o título em primeiro. A meias com aquele clube de bairro que, por norma, apenas discute o campeonato da 2ª Circular. E tudo por culpa do Nacional da Madeira! Já nem nos pequenos se pode confiar...
Entretanto, o «pequeno mouro» lá continua na sua senda de foder o toutiço aos súbditos de suas magestades a Rainha Feia, mais seu filho Carlos Orelhas de Burro e sua insigne nora - a Duquesa da Cornada. É assim mesmo, meu! ABUTRES apoia com entusiasmo. Saudades também à Naide e ao Tiago - ela pelo OURO e ele porque conseguiu não espatifar o carro logo na primeira volta. Prá próxima tens de limpar o sêbo ao monhé - é a tua próxima meta, carago!
De volta ao rectângulo, saúdo efusivamente o menorita Serras Pereira e aquele menor que acha que escreve no Barnabé. Ambos são um belo exemplo da generosidade tão própria da juventude e, por isso, mereciam ser fechados num quarto escuro - para sempre e juntos. E a eles podia juntar-se a «bolinha semiótica» - caracterização fenomenal e imperial que o radialista Carlos Magno castanheira utilizou, num dia de inspiração, para definir o Coelho do nosso prado. Então não é que o gajo escarrapacha no PÚBLICO os seus recados pessoais para a formação de governo e - veja-se a arrogância máxima! - o nome do futuro edil alfacinha?! E quem é que ele queria para ministra da Cultura? Elisa Ferreira - que em termos de cultura talvez chegue ao nível do repolho (boa cultura de regadio, então?!) -, até porque a dita senhora tem boa mão para o desporto!..., veja-se lá o «tótó-negócio»! Teve galo porque em vez do repolho saiu-lhe uma ninfomaníaca (a cultura para Pires de Lima é orgásmica, nada de confusões). E para Lisboa o bom do Prado quer o piroso do Carrilho - porque é um homem que tem demonstrado ultimamente grande interesse pelas cidades... Tá tudo parvo!
Bom!, e já que falámos do novo e pouco marçagão governo e de uma das suas lebres malucas, temos também de falar da «coisa» no seu todo - que é para não confundir a árvore com a floresta (ou tomar a nuvem por Juno ou outra merda qualquer). Fantástica aquela ideia do peso-pesado da política: o «freitolas»! Exemplar maior do monolitismo flutuante, Freitas do Amaral é um imenso «iceberg» na navegação socialista. Já criou os anti-corpos todos (necessários e mais do que suficientes) à formação de uma sopa ideológica de ódios radiais, e dá uma imagem perfeita do que será o futuro da governação: máquina pesada, de difícil e cara manutenção, extremamente permeável a pressões e elegantemente deselegante. E a «negaça» Vitorino - o que pensar? É, no mínimo, um sinal de tremenda insegurança socrática... Não tem lógica.
Este assunto do governo (?!?) tinha de vir em último lugar porque é o menos importante. Com a margem orçamental que existe, este governo nunca poderá ser muito melhor que o outro - nem muito pior. Porque se for muito pior capam-no.
Isso, como todos nós bem sabemos, é facílimo de fazer.
GRIFO (E nenhum dos «casapiistas» apareceu! Porque será?)

10.2.05

SOUSA TAVARES
APOSTA NO PCP (!!!)
Com um painel de elegíveis em que o PS é representado por um «agente funerário», o PSD por um «menino mimado», o CDS por «uma espécie de embrião precocemente envelhecido» e o BE por um «tele-evangelista» do tipo «bispo chato», Miguel Sousa Tavares afirmou na TVI que «Jerónimo de Sousa parece ser o único convicto do que está a dizer». Ou seja: Sousa Tavares «aposta» no líder do Partido Comunista Português - vulgo PCP.
Isto é o que o PÚBLICO diria na sua manchete se tal assunto um dia justificasse uma manchete. Dias depois, claro está, lá apareceria uma nota da respectiva direcção a admitir o abuso interpretativo de tal manchete - não admitindo contudo que tal abuso fora deliberado e que subscrevia então a totalidade de uma qualquer estratégia dos media - com objectivos precisos -, afinal a mesma que agora a utiliza para levar de charolas Sócrates e a sua pandilha até ao ninho do poder (meu Deus, aturar aquele «coelhone» outra vez!...).
Registe-se portanto o facto de MST conseguir manter alguma lucidez, demarcando-se com o seu distanciado «gato-pingado» da habitual fantochada jornalística com que todos mamamos em tempo de eleições. Isso e a importante descoberta de que Louçã é o alter-ego do IURD-bispo Edir Macedo - situação denunciada por ABUTRES no último post por via dum gritante (mas já habitual) erro de paralaxe desse enorme analista/comentador/jornalista que usa nome de imperador.
GRIFO (Jeróóóóóóóónimo!!!!!)

4.2.05

UNS PIOS TRISTES
Que se afiance desde já que estes pios nada têm a ver com a piedade que o sr. D. Duarte tão bem exibe no seu vasto e complexo nome. Estes pios, de tão tristes que são, representam apenas os esquisitos sons provenientes de umas aves especialmente canoras que, por alturas da popular «Feira dos Passarinhos», teimam em azucrinar os cornos aos portugueses (e aqui convém lembrar a todos os que acham que não têm cornos que o azar é todo deles, porque ainda vão ter de levar com os ditos. Para os outros... será sempre mais simples). O título um pouco macambúzio deste post foi-me inspirado pela minha Mãe, que assim caracterizou de uma penada a campanha política que culminará daqui a duas semanas com a escolha final dos nossos próximos algozes. Uns «pios tristes»!... Não podia ser melhor!
Pouco depois da declaração desassombrada da minha progenitora, a minha filha interrompeu-me uma importante aula de moral - que eu bebia avidamente de um DVD parasitado com o «Diner des Cons» - garantindo-me que ela e a tia tinham acabado de descobrir a estratégia nuclear de PSL para estas eleições: «Ele está a tentar engatar o povo em directo, no canal 1!!!» - alertou Grifinha. Parei de imediato o DVD e fui investigar. Efectivamente, lá estava o «man» todo afiambrado, exibindo uma evidente pose de conquista, com olhar arguto e brilhante, a voz pausada, firme, suave, penetrante... Como dizem os brasileiros, o gajo estava a dar «uma cantada» pela televisão. Ao povo todo!
Pôrra que por momentos senti-me envolvido!... Nããã..., não é verdade - claro que não! Mas é o que PSL gostaria que acontecesse de facto. A ver pelo empenho...
Assim, com o sedutor PSL do PPD/PSD no «galanço» - qual Porfírio Rubirosa desta nossa democracia (quem fará neste caso de Odile Rodin?) -, o que restará ao pobre rapaz do Fundão - o humilde, tímido e apagado JS do PS? Aproveitar as suas iniciais (Jesus!, Senhor!) e armar-se em Cristo? Quem sabe não dá ainda algum resultado...
Mas seja qual for esse resultado, o certo é que a minha Mãe - do alto dos seus 80 e muitos anos - é que tem toda a razão: os pios desta campanha têm sido bem tristes. Porque o que de facto se viu até agora foi apenas uma «dança de terreiro» das nossas «aves do paraíso». Ou, como diria o críptico e letrado jornalista/comentador Carlos Magno Castanheira, a respeito da profundidade do debate de 5ª feira passada entre Pedro Santana Lopes e José Sócrates: «Faltou a pergunta que responde ao vazio da totalidade dos portugueses». É claro que isto não quer dizer nada porque os protagonistas em causa não eram o IURD-bispo Edir Macedo e o seminarista falhado Francisco Louçã. Mas para o caso tanto faz. E serve perfeitamente!!!
GRIFO (Piu-Piu os pariu. A todos!)

30.1.05

A PROBLEMÁTICA
DA EUROBATATA
Por via de um dos fenómenos mais idiotas da globalização - que neste caso ainda por cima é deveras regional -, a problemática da EUROBATATA arrisca tornar-se num caso de saúde pública. Física e mental! Mal se compra a EUROBATATA sente-se logo o embuste: a qualidade, apregoada em estandarte, fica-se pela embalagem e cerca de metade vai para o lixo. Já na prova, a EUROBATATA também não passa: é igual à EUROPERA ou à EUROMAÇÃ. Toda bem calibrada, com o mesmo aspecto e sem qualquer sabor.
Ora de acordo com investigações completas (porque isto aqui não é a SIC) efectuadas por ABUTRES, a questão toda deve-se à denominação EURO - que, como já uma vez aqui informámos, quer dizer na sua raiz «vento de leste» (do grego euru).
Senão veja-se o que aconteceu com a moeda europeia: está de tal forma sobrevalorizada que só realmente interesa do ponto de vista do cliente, matando na sua sanha consumista o infeliz do produtor/industrial/exportador. Vejam-se depois os políticos europeus - que são, obviamente, EUROPOLÍTICOS. Qual deles terá, para o bem e para o mal, dimensão real? Berlusconi, Blair, o outro francês, e o alemão, o Zapatero?... O DURÃO?!!!
A bem dizer só mesmo o cabrão do russo - que não faz parte da união mas que está mesmo ali. Ao lado, a leste...
Olhemos agora para os políticos portugueses e veja-se como a EUROBATATA pode afectar - obnubilar, dir-se-ia - o raciocínio de toda esta gente que teima em governar-se: Louçã - que se governa muito bem debaixo do guarda-chuva guei -, passa um atestado de incompetência aos seus proto-eleitores no que diz respeito à sua capacidade de julgar assuntos que digam respeito à vida. Mais nada! Tudo isto para poder dizer em público - claro que por outras palavras! - que o Portas leva na peida e como tal tem de estar é caladinho quando se fala de fodas «a sério» e suas reais consequências.
Não satisfeitas com a figureta que os seus adversários menores acabavam de fazer, as gentias do PSD resolveram organizar um comício em que deram a entender muito bem que o rapazito do Fundão - aquele com nome de grego, do PS!... esse! - podia fazer excelente «pendant» com a «Paulette» porque, afinal, toda a gente sabe que o gajo «pega de empurrão». As damas verdadeiras só gostam dos machos - muito machos! Dos quais o nosso (ainda) jovem Getúlio - perdão, Pedro - é um magnífico exemplar.
E mai nada! Os outros são um bando de rabetas irresponsáveis, que não merecem governar - porque não sabem o que é a vida, como é óbvio!!!
Ora praticamente toda esta gente come da EUROBATATA!, o que pode ser perigoso.
Por este andar ainda vamos ter uma aliança pós-eleitoral entre o PPD/PSD e o PSR/BE.
GRIFO (Pôrra...)

24.1.05

O «ZÉ»
JÁ NÃO FAZ
MANGUITOS!...
Na recente efeméride dos cem anos sobre a morte do grande - enorme e maravilhoso! - Bordallo Pinheiro, surgiu uma amável discussão nos media sobre a eventual perenidade da personagem através da qual o artista se tornou mais popular: o «Zé Povinho». Entre o bisonho e o alarve, um nariz pintado por dentro a etileno, cara bonacheirona, a fralda de fora e um ar genérico de desalinho, o «Zé» via a sua imagem definitivamente composta por via do bem puxado Manguito com que saudava as «novidades» da política, os «perdões» da igreja e tudo o resto que - tal como hoje - lhe pretendiam impingir pela goela abaixo.
Esta discussão sobre se a criação de Bordallo ainda era válida nos dias de hoje estendeu-se por um Fórum TSF e por algumas páginas de diversas publicações. E tinha razão de ser - mais não seja o facto de vivermos num país cuja sociedade ainda se sente retratada nas terríveis definições que Eça de Queiroz dela fazia na mesma época. Logo, se a época era a mesma e os artistas bons, uma e outra imagem deveriam manter o enfoque a par. Ou então nenhuma delas seria ja válida. Razoável silogismo!
Mas, enquanto a ideia geral de um Portugal com milhares de quesílias minudentes na política e vastas ridicularias na sociedade nos parece ainda muito verosímel - todos as vemos, ninguém as esconde -, já a imagem do POVO reduzido àquela dimensão rude, quase primeva, não mostra mais aquilo que mal ou bem foi acontecendo e marcando as gentes que formam este todo feito de muitas partes.
Porque houve entratanto progresso ao nível da educação e de algum enriquecimento genérico - situações que lograram alguma solidez e estabilidade durante a lentidão do Estado Novo. Porque entretanto passámos por uma guerra complicada que deixou sequelas e respectivas catáreses. Porque entretanto muita coisa aconteceu no Mundo que não passou despercebida à maioria dos portugueses - como acontecia nos tempos de Bordallo. Ou seja: dos representantes genuínos do velho «Zé» já não sobram efectivamente muitos espécimes, e dos que sobram poucos terão ainda força suficiente para puxar um bom Manguito.
Ora sem Manguito não há «Zé»!
Ou será que nos revemos no «Zé Tuga», aquele que se põe em bicos de pé para parecer mais alto na fotografia da equipa de futebol? Ou no «Zé Estranja», que nos primeiros tempos na Suiça denunciou um irmão às autoridades locais de emigração como forma de garantir a sua própria estabilidade? Ou no «Zé de Cá», que foi à guerra, viu uma revolução, e hoje é balconista, camionista ou recepcionista, tem três putos, um Fiat Punto vermelho, e sonha ainda poder comprar uma casa em vivo? E o que fazer com todos os outros matizes, os que nos mostram um povo capaz de grande generosidade e de alguns rasgos admiráveis em muitas áreas e em vários pontos do Mundo - apesar das condições que a política permanentemente mina?, esta sim, sempre tão ridiculamente igual ao que vem sendo ciclicamente através dos tempos, e que Eça fotografou em rigoroso instantâneo matricial do seu tempo...
De qualquer maneira, a resuscitar um «Zé» era preciso pô-lo a dizer um monumental «FODA-SE!!!». Razões para isso todos sabemos bem que não faltam. Mas se alguém não se lembrar de uma bem à mão, ABUTRES faz-lhe o favor de relembrar uma «mancheta» do tablóide portguês de eleição - o inenarrável «24 HORAS» -, dada à estampa à cerca de dez dias: «SELECÇÃO SALVA CRIANÇA INDONÉSIA». Ora FODA-SE!!!, não salva nada! Vai ajudá-la e isso já é muito bom! E chega!
Esta é a pior marca do povo português. Permite que o utilizem sem pudor. É o puto abusado da Casa Pia, que está perdido no Mundo e isso faz-lhe medo! É o gajo da classe média-baixa que se deixa espezinhar por um qualquer medíocre que lhe está acima... porque lhe está acima! E que assim se deixa lentamente embalar pelos torpores da burocracia. E que ali mesmo lhes descobre o minério... E mais todos os outros «prolongamentos que ultrapassam o quadro» - na sábia imagem de Patrice de La Tour du Pin.
Já não há «Zé Povinho»: há sim um povo - e razoavelmente esquisito, diga-se de passagem!
GRIFO (Ora FODA-SE!!!, e no resto do Mundo como é que é?!!!)

16.1.05

DE COMO ZÉ CASTELO-BRANCO SOBREVIVEU
AO ÚLTIMO «GREAT AMERICAN DISASTER»
Depois dos desastres naturais, das políticas idiotas, dos políticos idiotas (não me vão pedir a lista completa, pois não?), finalmente surge uma boa notícia para alegrar as hostes. Retoma-se assim nestas páginas um «scoope» muito privado junto de uma personagem que foi ganhando dimensão a nível nacional, «vis-vis» da sua enorme capacidade para andar no arame e rezar o terço em simultâneo. Num país como Portugal isto é uma receita popular, epitomizada durante anos por uma personalidade do calibre de um Marco Paulo.
Mas o José Castelo-Branco (ABUTRES espera não estar a enganar-se na forma correcta de escrever o nome do ainda jovem «marchand d'art»...), apesar de usar um terço muito «retro», é muito mais «jet-set»! E foi exactamente assim - entre o terço, o «jet» e o «set», e depois da estafante «performance» na «Quinta das Celebridades» - que o , aproveitando um fim-de-semana em que a sua Lady estava no estaleiro com uma carga de reumático, rumou à sua adorada «Big Apple».
Fê-lo, no entanto, em má altura. Ou, quem sabe, talvez não...
Mas o melhor é contar tudo, tudo, tudo!
Foi assim: mal chegou a New York o foi confrontado com um alerta de catástrofe nacional - americana, convenhamos. E o que tinha acontecido, afinal? Um esquecidíssimo paiol de armas secretas do exército dos EUA explodiu, produzindo uma enorme nuvem tóxica que cobriu a América do México ao Alasca! Curiosamente, as bombas detonadas eram, no essencial, as chamadas 'ogivas gay' e as não menos perigosas 'minas flatulentes'. Bom! A confusão parece que foi total -. como contou mais tarde à TVI o nosso :
«Imagine-se a filha do Dick Cheeney, subitamente transformada em hétero - por inversão absoluta da sua tendência natural -, a correr que nem uma desalmada atrás do Arnold, que por sua vez corria que nem uma desvairada atrás do Sly Stalone... Uma ciumeira doida por todo o lado, e - meninos! - tudo aos traques... Um IN-FER-NO!!!» - sublinhou.
A inteligente entrevistadora faz no fim do seu exclusivo a pergunta crucial: «E você Zé, como é que se safou?»
A resposta do justo vencedor da «Quinta» explica como por vezes a Natureza é perfeita:
«Tive sorte, porque a minha parte feminina tornou-se masculina enquanto o inverso também aconteceu. Ou seja, fiquei ptraticamente na mesma! Não é o máximo?!»
Quanto aos peidos, obviamente que uma personalidade do jaez dum José Castelo-Branco está sempre preparada para o que der e vier - e no seu «necessaire» há sempre exércitos de pastilhas mesmo contra este tipo de eventualidades. Logo, esta parte do problema resumiu-se a ser confundido por vezes com Michael Jackson por via da máscara de protecção que envergava (o fedor parece que era HO-RRÍ-VEL!), enquanto assistia esgazeado à hecatombe meteo-sexual dos norte-americanos - já apelidada pela insuspeita TIME como o último «Great American Disaster».
Saído incólume desta proto-grotesca tragédia, o nosso já prometeu ir a Fátima rezar um par de novenas pela graça concedida. E quer pedir também uma audiência à irmã Lúcia, para saber se nas suas revelações (da beata, claro!) não haveria por lá nada de parecido com o horror vivido nos EUA...
GRIFO (Reportagem completa na próxima LUX, com Bush na capa de mão dada com um jovem, musculoso e sorridente «marine»)

31.12.04

UM DIA O RIDÍCULO
HÁ-DE MATAR!
Ao contrário do que muita gente pensa, o jornalismo não é uma profissão especialmente nobre. É-o tanto quanto o são os seus executantes - o que, à semelhança de todas as outras profissões, remete a nobreza para um valor estatístico absolutamente marginal. Uma das coisas que valoriza o jornalismo - tal como nas outras profissões - é a experiência dos seus actores. Infelizmente, as TV's nacionais - sem excepção - optam sempre pelo efeito do fácil e barato. Isso explica porque é que Maria João Ruela foi ao Iraque levar um tiro no cú e porque é que o velocipédico-jornalista Carlos Raleiras teve uma sorte do caraças - no mesmo território em guerra - em não lhe terem comido o cú. Escolha mais estúpida que qualquer uma destas duas só mesmo mandar o neflibata Carlos Câmara Leme cobrir o Paris-Dakar! Esta estupidez natural das TV's explica porque é que, às primeiras horas de embate com o Maremoto do Índico, o embaixador António Monteiro tenha sido assediado por uma jornalista proto-estrela - ao melhor estilo da coisa pirosa Sandra Felgueiras (que é bem filha da sua mãezinha, diga-se de passagem...) -, que queria à força saber porque é que o MNE não estava já todo nas praias de Phuket. Não vale de nada explicar à senhora - que obviamente nunca esteve em lado nenhum - a natureza específica de um território destruído por um grande desastre natural: é idêntica à de um território em guerra aberta - com a vantagem de (em princípio) não haver tiros e a enorme desvantagem de não permitir qualquer logística formal (que num território em guerra é possível). Mas, por cá - sem estradas destruídas, sem «blackouts», fome e falta de água, sem o horror do espectáculo ao vivo (mas com uma ideia dele) -, sempre foi posível ver a «grande preocupação» jornalística do pivot do jornal da tarde da SIC aquando da chegada do embaixador de Portugal à Tailândia: «Ele foi o último a chegar», denunciava com o pesar estampado no rosto o nosso brilhante pivot. Fica-se depois a saber que alguns dos portugueses que ainda não tinham sido contactados pelo MNE - porque não estavam contactáveis - deram finalmente sinal de si: estavam do outro lado da ilha e não sabiam que tinham de dizer que estavam vivos... Conclusão imediata do esperto pivot: «É bom saber que há gente que resiste». Comment?!...
Curiosamente, talvez por não serem do métier TV, tanto o jornalista da RTP (do quadro da RDP) como a jornalista da Visão (uma Ruela mais sabida) efectuaram - para as TV's - um trabalho bastante limpo. As imagens, é claro, são todas da CNN e da Sky, que têm nos vários pontos do desastre uma série de tarimbados (na sua maioria séniores, como David Crabtree, Andrew Wilson ou Stan Grant) que, objectivamente, dão contínua informação sobre tudo o que realmente interessa: as primeiras vacinações, os locais isolados durante quatro dias, as visões demensiais, os episódios ainda assim felizes, a tristeza e o vazio infinito dos olhares...
Fica uma pergunta para os meninos das nossas TV's: em que é que a presença do embaixador português no local iria beneficiar a situação de fosse quem fosse? Será que ele não fez bem em ficar por cá até saber com o que contava «in place» ao nível do disponível, das ONG's, das ajudas logísticas, da documentação especial - enfim, dos assuntos de coordenação sobre os meios obviamente diminutos de que Portugal dispõe naquelas paragens, mesmo em tempos pouco atribulados?
As TV's nacionais praticam o mais vil, fastidioso, demorado e superficial jornalismo que há em Portugal. Só resta esperar que um dia o ridículo as mate. Bem mortas. Até lá, será fácil, é barato e dá realmente milhões!
GRIFO (Porque será que o Adelino Gomes ficou em terra?)

29.12.04

CARIDADE EM NOME
DA MÁ-CONSCIÊNCIA
Há uma pergunta subjacente que se coloca face à enorme «onda» (irra!) de solidariedade que se começa agora a desenhar, um pouco por todo o Mundo, tendo em vista o auxílio maciço à zona «Ground Zero» do Golfo de Bengala e territórios adjacentes afectados pelo «natalício» maremoto. Será que tal auxílio teria a expressão que tudo indica virá a ter caso a zona de desastre não representasse um dos principais destinos turísticos do mundo moderno?, palco escolhido para as férias de centenas de cidadãos de muitos dos países que agora choram baba e ranho? E se os mortos fossem apenas os pobres habitantes das povoações ribeirinhas do Índico? Será que íamos todos ajudar com toda a pujança que estamos a pôr na solidariedade que agora exibimos, entre o choro e o luto pelos nossos mortos e a necesidade urgente de, através de actos concretos, apaziguar um pouco as nossas consciências? Sérias dúvidas...
A verdade é que o fenómeno do turismo globalizou o desastre, e assim aquelas regiões receberão um pouco mais do que aquilo que a chamada «civilização ocidental» estaria disposta a contribuir em circunstâncias - chamemos-lhe - um pouco mais normais...
Porque esta é das tais contas que é para ser paga por todos. De uma forma ou de outra.
GRIFO (Chorando a solidão do milionário no enterro dos seus filhos...)

IDENTIDADE ASSASSINA
NO INTESTINO DE GAYA

Imediatamente após os primeiros impactos das imagens terríveis produzidas pelo Maremoto do Índico, surgiram também as primeiras explicações técnicas sobre o que provoca um tão ciclópico acontecimento. E, de facto, seria bom tentar perceber porque é que uma onda pode percorrer imparavelmente uma tão grande extensão do planeta. De Sumatra à Somália!..., podia até ser o título de uma música, ou de um livro. Mas é tão somente o rasto de destruição provocado por algo que – se considerássemos a Terra um ser vivo, à imagem da mítica Gaya – podíamos caracterizar de convulsão gastro-intestinal do planeta. Tecnicamente, trata-se de um grande desarranjo de tensões ao nível da linha de fogo, cujos gigantescos «amortecedores» (leia-se combustíveis fósseis) têm sido extraordinariamente maltratados pela também gigantesca cobiça humana, que mesmo à vista do desastre iminente irá continuar a «secar» a grande laranja até que esta se encarquilhe mais um pouco e apodreça de vez...
O que assistimos pode ter duas leituras e nenhuma delas tem algo de misterioso ou ontológico: ou a Terra não é um Ser e o que estamos a assistir é ao desabar de um edifício – minados que estão a ser os seus alicerces; ou então a Terra é um ser vivo - que tudo fará para se livrar de um sujo parasita-predador-suicida do calibre do Homem. E aí agirá como o próprio Homem o faz perante o medo de uma ameaça desconhecida: disparará em todas as direcções, cometerá todos os horrores e vinganças, não olhando a meios para conseguir os fins. Adquirida a sua «identidade assassina» – segundo a dura expressão de Amin Malouff a respeito da natureza do terrorismo -, a Terra tornar-se-á muito mais parecida com o Homem e reclamará, através do terror provocado pelos seus tremendos actos, o direito à liberdade de ser.
GRIFO (Deus não é aquele que se calou desde o Início?!)

23.12.04

FÉ NA ESPERANÇA
E VICE-VERSA...
Subrepticiamente, o Natal foi-se aproximando sem dramas financeiros ou emoções pré-traumáticas afins. As desgraças do Mundo não me impediram alguma diversão, que até incluiu bons momentos de trabalho! Como é isto possível?! Como pode tal estar a acontecer-me?...
Mas é verdade. As minhas compras natalícias foram especialmente criteriosas e abrangentes q.b., feitas a tempo e horas, sem stress, sem nada - sem a histeria e a sensação de sonho mau em que andei sempre perdido durante anos a fio, por esta altura. Tento encontrar uma explicação lógica para este súbito alinhamento, um ponto de rotura elementar na estatística sombria dos meus muitos natais - uma atmosfera que sempre atribuí a uma cada vez maior distância para com a inocência, pontilhada aqui e ali de acontecimentos especialmente acerados que foram ajudando a carregar sempre mais e mais no negro do carvão.
Em trânsito de horizontes, lembrei-me de repente do que se passava há um ano na minha cabeça: ia aventurar-me, pela primeira vez, no perigoso, incómodo e desconhecido reino da sobriedade. Daí a menos de um mês iria parar de beber. À força.
E é assim que aqui me encontro eu, quase sózinho, no perigoso, incómodo e desconhecido reino da sobriedade, esperando que o Mundo consiga acalmar-se tanto quanto eu o consegui fazer num mero ano de «despoluição» real. Qualquer coisa como permitir acreditar que, apesar de todos os sinais de perturbação permanente, o mundo encaminha-se para algumas boas resoluções de efeito global, e que a ideia de crescimento sustentado terá criado um súbito bom-senso neo-neo-liberal - cuja principal consequência será o abrandar do galope suicida da Humanidade no seu todo...
Enfim, coisas simples e modestas. Como estas.
GRIFO (Bom Natal!)

14.12.04

DE LA PALICE
É interessante verificar que por vezes o mundo olha por nós! Nem que seja na pessoa de uma daquelas imensas, poderosas e caras entidades abstractas que, por norma, chegam sempre à conclusão que África é o continente mais fustigado pelas chamadas maldições da modernidade e da globalização. Mas desta vez não é de África que se fala mas sim da política - que é uma espécie de continente. E tudo para se chegar à conclusão de que tam excelsa actividade foi considerada por várias instituições muito credíveis - e não heveriam de ser?! - aquela que mais corrupta é por natureza. Qual é esta natureza? Simples: os homens de todos os credos e facções, todas os partidos e gestões maçónicas congéneres e a míriade de leis que dão monstruoso e disforme corpo a este fungo maioritariamente imprestável.
Assim, dantes já se sabia que quem ia para advogado ou ia para malandro ou não se safava. Agora pletoriza-se a actividade do malandro para um universo mais vasto e de retorno ainda mais garantido: a política! Tudo é mais claro, e foi preciso uma comissão da ONU meter-nos isto pelos olhos dentro - porque nós não sabíamos... Cá em Portugal - porque lá fora já toda a gente sabe!
GRIFO (Não se pode é ser Gomes da Silva!...)

3.12.04

COISA FEIA, A INVEJA!
Quando o PR viabilizou há meses o governo Santana Lopes - coisa que ABUTRES «adivinhou» com umas semanas de antecedência (a 5 de Julho, no «post» «Tempos de Febre» -, fê-lo por saber que o PS estava de pantanas e portanto incapaz de responder imediatamente às exigências da constituição de um governo-relâmpago. E fê-lo também porque sabia que a notória vaidade de Santana ia ser um excelente móbil para que o próprio aceitasse a arriscada manobra de o fazer pelo PSD. E Santana cumpriu com as expectativas! Constituiu um gabinete com alguns nomes de combate, engolipou o fátuo Portas e encheu-se de boa-vontade. Mas, como todos os impulsivos, o ainda PM cometeu vários erros de avaliação: confiou nuns amigos para as horas difíceis. E aí Santana espalhou-se: o rémora Gomes da Silva - que já nos tempos do «Liberal» de Maria João Avillez e Luís Delgado andava por ali a assinar uns papéis - achou que tinha de prestar um serviço gratuito ao seu «transportador» e fez a borrada que se sabe. Quanto àquele misto de capão de Freamunde e de compota de barriga - que dá pelo nome de Henrique Chaves -, ele é, em termos de «casting», o pior amigo que se pode arranjar.
Agora o PR vai ter de explicar muito bem porque é que decidiu dar provimento às invejas do PS, atirando o ratito Sócrates e todo o lóbi do arco-íris para as primeiras linhas da tomada do poder. Será que a instabilidade previsível de um futuro gabinete recheado de neófitos vai ser melhor que a instabilidade folclórica de Santana? Não consigo imaginar porquê. Ou será que Sócrates e todo o PS acham que ter um bom ex-comissário europeu na cartola - que Jorge Coelho já nomeia como o «preto» de serviço... - chega para as encomendas que aí vêm? Agora é que o PR vai ter de trabalhar... O que não lhe fica mal!
A inveja é coisa perigosa. O grave é quando não o é apenas para os que a sentem e materializam. Que é o caso presente, infelizmente.
GRIFO (Esperemos pelas Lebres de Março - que são umas malucas!, como toda a gente sabe)

9.11.04

A TERCEIRA GUERRA DO IRAQUE
Quando George W. declarou há tempos que a guerra no Iraque tinha acabado, muito boa gente houve que pensou que ela ainda nem tinha começado. Percebe-se a ideia, mas a guerra - tal como os vírus epidémicos - é um organismo migrante. Na verdade, a invasão que se seguiu ao 11 de Setembro - uma mistura de demonstração de força, de vingança abstracta e de fuga para a frente - é a segunda guerra do Iraque e inscreve uma atitude quase dinástica de exercício do poder. A reeleição de George resulta tanto da inabilidade mediática do 'snob' John como de uma certa tendência popular de deixar que o autor da cagada acabe de a fazer e, se necessário, também pegue no esfregão e no rodo para limpar a sujeira no fim. Agora, para melhorar a sua já fantástica imagem, George reinicia as hostes numa limpeza de Faludja, estrategicamente encomendada pela presidência interina por si imposta.
E assim se chegou à Terceira Guerra do Iraque - uma guerra que será diferente da anterior, melhor alimentada pelo inevitável crescendo de ódio que uma aliança local com o inimigo americano irá produzir. George, depois de ajudado por Bin Laden no que diz respeito ao território dos EUA, verá agora este seu parceiro de aventuras dedicar especial atenção a tudo o que se passa no antigo império de Sadam. E assim poderá continuar na guerra, alimentando com isso uma das indústrias mais florescentes do mundo e tentando controlar a seu favor os interesses generalizados ligados ao petróleo.
E também assim vamos todos assistir em directo à construção da maior lista de «casualties» e de «danos colaterais» jamais vista.
GRIFO (Que saudades do Dr. Strangelove...)

29.10.04

PELA BOCA MORRE O PEIXE
Ao ler no PÚBLICO um trabalho a propósito de uma reedição de «As Farpas», de Eça e Ramalho, mais uma vez senti a estranha sensação de viver num país que tem como referência quase única de indignação civil os escritos de um homem que morreu há mais de um século. Nada terá mudado de facto? Provavelmente não.
A justaposição de personagens, factos, ditos e atitudes foi usada - na mediática operação de lançamento desta reedição - tanto por Marcelo Rebelo de Sousa (o apresentador da obra) como por Maria Filomena Mónica (a autora da compilação). Foi um harmonioso contraponto e prova materialmente a qualquer espírito um pouco malévolo não existirem dúvidas de que Eça, de facto, continua a ser o nosso melhor vendedor...
Mas o prof. desta vez errou. Escolheu mal o texto. Porque ali se fala de ideias puras e Marcelo nem sabe o que isso quer dizer. Pensou envergar a farpela de Eça de forma conveniente e Maria Filomena Mónica apressou-se a partilhar com o vasto auditório o seu trepidante «calambour» espacio-temporal ao ter visto Marcelo lá pelo meio das Farpas! Que ia ser presidente, dizia o Eça em latim! Qual previsão de Nostradamus!
Ora o que ali na verdade se passou - à parte a exemplar operação comercial - foi que o enfatuado e ridículo Abranhos desceu à Terra. Aconteceu ali uma estranha transmigração: uma personagem de ficção entrou no corpo de Marcelo, que se passou a comportar como uma espécie de «pomba gira» de um complexo candomblê psico-cultural (eu acho que isso deve existir algures!), em resultado de más práticas. Mas é claro que Abranhos está mais desenvolto, muito mais culto e, acima de tudo, muito senhor de uma retórica que dantes se afundava quase sempre num pantanal de adjectivos... Quem o viu e quem o vê! No entanto, foge-lhe ainda o pé para a chinela: convenceu-se que é um autêntico príncipe de Maquiavel e afinal não passa de um «Zaragata» de Uderzo e Gosciny.
A Maria Filomena é que ainda está muito bem! Gostei imenso de a rever (as mulheres tratam-se sempre bem!).
GRIFO (Será que o prof. Marcelo um dia vai saber o que lhe aconteceu?)

8.10.04

MARCELINHOS
Este é um mundo estranho. Há uns gajos no Médio Oriente que cortam cabeças para uma câmera de video, enquanto que na Europa se põe à consideração a hipótese de um país do Próximo-Oriente vir a fazer parte da União Europeia. Para que tal hipótese possa entrar em equação torna-se necessária, no entanto, a reforma de certa legislação turca que ainda criminaliza o adultério - sendo que a questão só se coloca à mulher, como é bom de ver. E pensar que o pai de Eça se recusou - há 150 anos - a julgar Camilo e Ana Plácido pela mesmíssima razão. Imagine-se!, no Portugal de há 150 anos! E depois, quando a Turquia entrar, teremos todos o mesmo voto! Que coisa boa!!!
Pois se há 150 anos era assim, agora é bastante mais esquisito - porque Portugal reflete o mundo...
Por aqui está tudo em alvoroço por causa do sr. professor! É que o sr. professor ensinava o país, acertava as ideias do país, fazia-nos compreender o país...
E vem aquela rémora patega, que dá pelo nome de Rui Gomes da Silva, a defender com espalhafato o seu parasitado de eleição e de longa data (leia-se Santana Lopes)! E com palavras tão feias! É claro que o sr. professor se sentiu agastado! Pudera!
Apesar do tal ministro-teleósteo (ele há cada peixe!) afinal não ter dito mais do que o PR em 2001, depois dos comentários do sr. professor à Lei da Programação Militar. Mas isso são contas doutro rosário...
Mal S. Marcelo deu à costa (dos murmúrios?), logo surgiu um coro de carpideiros arregimentado para o efeito: Louçã (um marcelista ferrenho, como todos sabemos), Pacheco Pereira (lopista de alma e coração), Arons de Carvalho (o único do PS que abriu o bico), Miguel Sousa Tavares (que ainda está a pensar)... O PÚBLICO de hoje era um festim idiota: até Teixeira da Mota agita o monstro da censura, sombriamente anunciando o iminente «abate» de Sousa Tavares - a «próxima vítima»! Só dá prima-donnas...
Veja-se lá! Marcelo Rebello de Sousa atirado para cima da cruz, coroa de espinhos pela testa, o sanguinho todo a escorrer corpo abaixo e um braço tombado de lado, em pose de abandono!...
«Com pregos Alcobia nada disto acontecia!», diz acertadamente uma velha anedota, referindo-se a um «certo» braço pendente.
E aqui até Jorge Sampaio veste MARCELINHO. A roupa não lhe assenta nada bem, mas veste-a toda - ainda que, como vem sendo hábito, muito a contragosto. Deu aquela recepção ao sr. professor para fazer um agrado à esquerda, recentemente tão mal-tratada naquele esquálido episódio das eleições (lembram-se?). Mais a declaraçãozinha a preceito em território estrangeiro... Questões de Estado, dir-se-ia.
Foi giro de ver! Mas acabou. Num murmúrio tudo despararecerá ao som distorcido do «efeito de Doppler». Mas a velha raposa preparou tudo bem. Qual futebolista na grande-área, cheio de manha, sentiu um leve toque dum defesa inexperiente e logo ali «cavou» um penálti. Agora vai exibir a lesão - que é bastante grave. Bastante! E entre feridos e mortos só o rémora da Silva levará um «amarelo» (espera-se).
Depois, o sr. professor irá descansar para a toca - em silêncio, claro! -, à espera de ver o que o Inverno lhe traz de bom.
Marcelo disse no seu último «digest» semanal que o governo (que de facto é bem instável, como aliás se previa) ainda acaba a levar Guterres ao colo até à próxima presidência. E é por isso que o sr. professor está agora a tratar de arranjar alguém que também faça isso com ele!...
GRIFO (Cozinheiro de boa «vichyssoise» também prepara «molotoff» aceitável)*
* (provérbio que goza de enorme popularidade em Mindanao)

4.10.04

A LEVE COR DOS MEDIA
Morto o bom, simpático, eficiente e honesto Fialho Gouveia, chegou também com o triste mas inevitável acontecimento o inevitável obituário televisivo em todo o seu esplendor rasteiro. Primeira intervenção, num dos nossos irritantíssimos canais generalistas: o jornalista-repórter comenta a vida calmamente agitada de Fialho, lembrando a sua larga colaboração num conhecido trio onde pontuavam também Carlos Cruz e Raul Solnado.
Na altura fez-me confusão o nome de Solnado - o criador da espantosa «Guerra» e de tantos outros «gags» memoráveis - vir em último lugar. Cedia primazia a um apenas bem sucedido apresentador de TV e empresário da comunicação, caído entretanto em desgraça dado o seu alegado envolvimento naquilo que todos nós conhecemos por «rede pedófila» ou «escândalo da casa Pia» - conforme decidem as primeiras páginas e os pivôs.
Ao segundo acto, aquele borrãozinho de «tinta» que distingue um jornalista de uma pessoa normal veio à tona do fino verniz entretanto gasto: em plena reportagem sobre o caminho do féretro, o jornalista-repórter (já não sei se da mesma estação, nem isso interessa verdadeiramente) saiu da zona segura do mau gosto aceitável para se espetar, de ventas no chão, no mais irremediável dos «lapsus linguae»: «(...) meia centena de amigos de Carlos Cruz (...)». Pausa ligeira, e, imperturbável, continua: «(...) acompanham pela última vez (...)».
É esta a leve cor dos media, que raramente conseguem separar coincidências espúrias ou proximidades relativas da simplicidade dos factos concretos.
Por vezes, esta «incapacidade» é de extrema utilidade, alimentando as brasas já meio apagadas de assuntos que - sem o recurso a tais coincidências e proximidades - já deveriam estar mortos e enterrados.
E depois a vida encarrega-se de pregar partidas ao jornalista-repórter, que desmascara assim a sua «tendência intelectual» para a desonestidade.
As honrosas e difíceis excepções apenas confirmam a regra.
GRIFO (Para os recém-formados na área, uma certeza: todos os jornalistas, em diferentes momentos e níveis de responsabilidade, já caíram nessa - chamemos-lhe - «fatalidade»...)

28.9.04

SEGUROS PARA MATAR
NO IMPÉRIO SELVÁTICO
A construção de uma via rápida, nos arredores de Castelo de Paiva, provocou hoje um morto na pessoa de uma idosa que, no momento fatídico, se encontrava em casa procedendo aos habituais afazeres domésticos. Dentro de casa. Morreu porque a movimentação de terras, que se verificava no momento exactamente a montante da ravina onde esta casa se encontrava, provocou um desabamento de grandes lages - sendo que uma delas entrou pelo telhado da habitação, esmagando a sua proprietária.
Comentário de uma jovem vizinha: «Já avisámos os homens do IEP» - Instituto de Estadas de Portugal. «Houve um que disse que não havia problema porque o IEP tinha seguros para tudo». Inclusive para matar, depreeende-se agora.
Porque a moral do IMPÉRIO - hoje em dia dissimulado no estado e no aparelho produtivo - é gerir o tempo ao segundo independentemente das consequências. O IMPÉRIO deverá crescer a X euros por minuto, arrasando campos de cultivo, paisagens protegidas, locais históricos, santuários selvagens. Para isso desviará rios e outros capilares da Terra, ocupará densamente todos os litorais, esmagará hábitos seculares e será indiferente a qualquer espécie de sentimento. E apenas encolherá os ombros perante qualquer desgraça ou inutilidade que o seu avançar de praga irá inevitavelmente provocar.
Porque não é só o IEP que está seguro. O IMPÉRIO, de que o IEP faz parte, tem também ele um enorme seguro, que lhe permite actuar impunemente em qualquer parte do Mundo. Onde actua, 24 horas por dia, porque a sua fome é medonha e ganância o seu nome de família...
GRIFO (Então?, já sabem o que é o IMPÉRIO? É a economia, estúpidos!))

22.9.04

GLÓRIA IMEDIATA
Bater no «ceguinho» é algo que há muito percebemos não servir para nada. A falta de imaginação - e de sentido de visão e perspectiva - que grassa no grosso do poder que vem sendo exercido em Portugal (com destque para a última década) é hoje já só quase um «ser» gordo e doente, que a proximidade da inevitável morte parece colocar em posição ideal para a consequente autópsia. Esperemos nunca ter de exumar o «corpo». O exemplo magnífico de toda esta falta de sentido de «correcção de tiro» foi-nos dado no decorrer de 2004 - que ainda não acabou... - através da capacidade (ou falta dela) de organização que Portugal exibiu até este Outono. O EURO 2004 foi um exemplo de «capacidade de realização e empenho». Foram as frases fortes de todos - sem excepção. Como - sem excepção - todos estamos de acordo ao dizer que este ridículo «episódio» da colocação de professores demonstra uma enorme falta de responsabilidade (a todos os níveis, moral incluída) por parte dessa «holding» de gestores que se revesam à frente do estado. A obra de «encher o olho» - com efeitos imediatos - foi feita com cuidados extremosos. A outra - que é fundamental no processo da necessária reestruturação contínua da sociedade - colapsou de «erro informático»!
O actual governo ainda não teve oportunidade de provar nada - além de que tem de se adaptar a um «fato» que não foi feito a seu pedido. E não esperemos muito - porque expectativas altas dão sempre amargos de boca. Mas seria um acto de enorme coragem política Santana Lopes conseguir anular o escândalo que é a reforma dourada de Mira Amaral. Porque até parece que o «boca cheia de merda» andou até agora a trabalhar de graça para o estado!... E até se pode perguntar se ele chegou a fazer algo de realmente importante!
GRIFO (Olhe-se para a nossa magnífica indústria e para os efeitos a longo prazo do Mira!)

16.9.04

CONVERSA DE SURDOS-MUDOS
No seu artigo do «Público» de hoje («Media-esfera, Blogosfera...»), Pacheco Pereira corporizou o recato quase humilhante com que a comunicação social está a conviver com a maior fuga ao segredo de justiça alguma vez verificada em Portugal. No seu périplo pelos vários casos em que a bloguística protagonizou e buliu com a «atmosfera», PP «esqueceu-se» do «copy paste» que o Profundo António fez, na semana passada, a partes do processo Casa Pia. E este seu «silêncio» soa a monumental gritaria esbracejada. Melhor não faria um surdo-mudo que tivesse acabado de assistir a um assassinato a sangue frio, em plena luz do dia. Talvez PP faça bem em proteger-se, e em utilizar esta «surdina» como forma quase subliminar de manifestação... Um dia se saberá.
Entretanto, lá começou a dança de juízes - com Varges Gomes a ser «encostado». Apetece-me dizer: «Carne jovem para Drácula!». Juízes jovens, não engajados?... Um dia se saberá.
E a dança no PS continua. Resta perguntar se algum dia acabará... Um dia se saberá!
GRIFO (Sei lá! Ò Rebelo Pinto!, ò «minha», desculpa lá!...)

13.9.04

O EMBACIADO CASO
DA AUTO-DENOMINADA
JUÍZA 'MÃOS LIMPAS'
Curioso! Sendo o pessoal de ABUTRES formado exclusivamente por cépticos profissionais, é estranho que o processo disciplinar instaurado hoje pelo juízo dos juízes à juíza Filipa Macedo tenha provocado uma forte e generalizada sensação de frio aqui neste aviário.
O gélido momento viveu-se na sequência da surpreendente aparição de importantes e pormenorizados extratos da Instrução do processo Casa Pia, relativos essencialmente ao arguido Paulo Pedroso, mas onde aparecem os nomes do 'núcleo duro' de arguidos no caso, bem como mais marginalmente os de Ferro Rodrigues e (pasme-se!) de Jaime Gama. Nos vários «posts» do blogue 'Do Portugal Profundo', onde surge esta bomba ao retardador, fica-se a saber, não só de pormenores sórdidos de toda esta tristíssima história, mas também das hiperligações partidárias (e não o serão só...) com cargos à mistura e interesses a reboque. Ali (ver comentários no blogue) também se fala de um «golpe de estado», de uma tentativa de tomada de poder pela alegada rede pedófila, surgem ameaças e mensagens de repúdio quer aos actos em si quer ao propagador, fazem-se extrapolações a rituais secretos de iniciação - em que o acto pedófilo, conhecido de todos os membros, funcionaria simultaneamente como acto de aceitação pelos pares e de garante inviolável da real «irmandade» do neófito. E, enfim, pede-se para que o citado «post» seja guardado em cópia e espalhado em cornucópia...
E é curioso que a comunicação social ainda não se tenha manifestado minimamente sobre 0 assunto... Mas percebe-se: quem tem cú tem medo, e este assunto queima. A tal ponto que ninguém sabe o que fazer com ele. Quando inicialmente vimos a actuação de Filipa Macedo achámos todos que ela era apenas mais uma «allumeuse» a tentar chamar as atenções - qual José Castelo Branco. Na sua radical apreciação de turno ao processo Casa Pia, ela apenas quis meter toda a gente de novo na prisão e marcou mesmo o julgamento (o que não é pouco). E caiu na asneira (ou não) de falar à imprensa. Parecia «show» de espontânea chalada!
Mas depois de 6ª feira, depois do blogue (lembram-se das «cassates piratas?»), quando lemos na revista «Sábado» que esta juíza afirma à boca cheia ser «a primeira juiz 'mãos limpas' em Portugal», ficámos à espera da inevitável 'varada'. E ela chegou agora, pela mão das únicas pessoas que em Portugal só respondem perante um colégio de pares. Os juízes. Os outros - a quem implicitamente Filipa Macedo não atribui 'mãos limpas' com a sua perigosa (e ainda não se sabe se também ingénua) declaração.
Porque se um importante «naco do poder» leva uma pancada mortífera, o mais certo é que o restante que não levou (adversários políticos incluídos) não se limite a ficar a ver o estrebucho. O poder - ninguém o esqueça! - é muitíssimo corporativo. E, como qualquer empresário bem sabe, o pior que pode acontecer a uma empresa é que o público deixe de acreditar nos seus produtos! O que começa a acontecer...
É que o povo, leigo nas idiosincrasias da política, não deixará de fazer escorregadias associações de ideias - que nada têm a ver com a distanciação jornalística ou com o conservador bom senso de toda essa enorme multidão murmurante que é paga (e bem) com os impostos deste mesmo povo.
GRIFO (Cerimónia maçónica na igreja?! Pôrra!, só nos falta mesmo um golpe de estado pedófilo!)

7.9.04

TRÊS FACTOS DISTINTOS
PARA ANIMAR O CAOS

Hoje, dia 6 de Setembro, três factos totalmente distintos surgiram - por razões misteriosas - associados à imagem da mirífica organização do caos, que tantos filósofos e matemáticos tentam instituir por via de uma qualquer padronização desse mesmo caos. Pior do que isso só mesmo a banda desenhada de «Condomínio», onde o herói não consegue sair do caos porque a saída está uma confusão...
Bom, deixemo-nos de merdas e vamos em frente.
Na infeliz Ossétia lambem-se feridas que vão arder até que a consumação do ódio puro as adormeça. No Cairo, árabes do Islão repudiam em nome de Alá os acontecimentos perpetrados em nome de Alá.
«Cá fora» - como se isso existisse - reparou-se, entretanto, que poucos bárbaros tinham sido capturados com vida. Um dos que sobreviveu disse que até tinha tido pena das criancinhas...
Pudera!
No Iraque, dois jornalistas franceses já não são aríete político contra o fundamentalismo laico do governo de Paris - depois de um imã importante daquelas paragens ter considerado o seu rapto como um mau exemplo da luta dos muçulmanos e de todo o Islão. Estão safos estes jornalistas, já só valem uns milhões de euros.
Em Israel, o cínico Ariel Sharon declara querer ajudar a Rússia contra o terrorismo e lembra oportunamente que o que aconteceu em Beslan - num dos últimos tampões dos restos do Império Otomano - acontece todos os dias na sua terra...
Hoje, no mundo árabe, muitos sabem que esta guerra vai ser perdida de forma irremediável.
Quem sabe se não por todos, tão envolvidos no seu recíproco ódio combustível e comburente.
A tempestade Frances deu cabo de uma data de barcos nas Bahamas! A bolsa de trabalho americana deve apresentar agora uma forte procura de carpinteiros e canalizadores. Que bom para eles. E dá também para perceber que uma tempestade humana é muito mais violenta do que qualquer furacão...
O marcador da estrutura do caos surge num facto bastante divertido: um indivíduo (português, pois claro!), está preso em Lisboa e cumpre pena por falsificar vinho do Porto. O mesmo indivíduo foi agora apanhado, dentro da prisão, a operar em força um alambique clandestino! E só foi apanhado porque a sua ala prisional mostrava jeitos de embrieguês generalizada! Não fora o pequeno descuido e o homem ainda enriquecia...
Háh! Sabem quem está rico como a merda desde que o petróleo resolveu «achar» que o Mundo está «outra vez» mais perigoso? Uns gajos que negoceiam em futuros! Sabem o que é isso? Não? Deixem lá, eles também não. Só sabem é que funciona bem!
GRIFO (Até ao futuro!)